A Faculdade de Artes Dulcina de Moraes carrega o nome, a história e o legado da grande artista que lhe dá nome. Dulcina de Moraes foi uma brasileira à frente de seu tempo, considerada pela crítica como a mais importante intérprete teatral brasileira no século XX. Atriz, diretora, produtora de espetáculos e professora de artes cênicas foi capaz de influenciar três gerações de artistas de teatro e iniciar um projeto voltado para a formação e a profissionalização do artista brasileiro.

Veja o camarim de Dulcina:

Filha dos atores Conchita e Átila de Moraes, Dulcina nasceu em 3 de fevereiro de 1908, em Valença (RJ), e tomou parte em representações da companhia mambembe dos pais ainda bebê. A carreira de atriz começou na década de 1920, quando assinou seu primeiro contrato, com a Companhia Brasileira de Comédia, de Viriato Corrêa. Aos dezessete anos, entrou para a empresa teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante do país no início do século XX.

Dulcina representou em mais de uma centena de espetáculos, lançando pela primeira vez no Brasil autores como Eugene O´Neill, Bernard Shaw, Garcia Lorca, Giraudoux. Em 1945, montou o espetáculo “Chuva”, de John Colton e Clemence Randolph. O espetáculo tornou-se um marco em sua carreira à medida em que se mostra engajado na modernização teatral. A crítica considerou o papel de Sadie Thompson um dos melhores da carreira da atriz. Um dos aspectos que mais impressionou o público foi a chuva, que durante os três atos caía sem parar no palco. Em viagem ao exterior, Dulcina mereceu destaque na imprensa espanhola, e “Chuva” tornou-se o carro-chefe da companhia, fazendo parte de seu repertório durante quinze anos.

Além de seu trabalho criativo como intérprete, a atriz foi pioneira na luta pelos direitos sociais dos atores e técnicos teatrais. Antes de Dulcina, os profissionais de teatro trabalhavam de segunda a segunda, havendo dias (quintas, sábados, domingos e feriados) em que chegavam a fazer três sessões diárias. Foi ela também quem aboliu o “ponto” no teatro brasileiro. Antes dela, o intérprete “dizia o texto pelo ouvido”, ainda que muitos, mesmo assim, pusessem a “alma pela boca”!

Nos anos 1970, influenciada pelo presidente Juscelino Kubitscheck, mudou-se do Rio de Janeiro para Brasília, transferindo a sede da Fundação Brasileira de Teatro para a cidade. Construiu, com projeto de Oscar Niemeyer, o novo Teatro Dulcina e uma das primeiras faculdades de artes efetivamente autorizadas e reconhecidas no país. Para ela, a vocação de Brasília era de ser o grande polo de cultura do país.

Como reconhecimento da importância de sua obra para a cidade, em 2008, o governo do Distrito Federal assinou o tombamento do Teatro Dulcina e dos acervos fotográficos, cênico e de textos da atriz como Patrimônio Cultural do DF. Além disso, por meio de decreto, dedicou o ano à grande dama do teatro brasileiro, que, simultaneamente, seria agraciada postumamente com a Ordem do Mérito Cultural pela Presidência da República, em reconhecimento ao seu trabalho em prol do teatro brasileiro.